SINCERO: Secretário de saúde admite inchaço na folha, diz que não administra as compras e aponta descumprimento de lei pelo governo Berg
Uma enxurrada de ilegalidades, problemas administrativos e sucateamento de uma das pastas mais importante do governo municipal. A ida do secretário de Saúde de Bayeux, Jordane Reis, na última terça-feira (09) à Câmara de Vereadores trouxe revelações espantosas de como a gestão passada deixou a secretaria e como a atual administra de forma improvisada e omissa.
Eu fiz questão de assistir por quase 1 hora ao vídeo do pronunciamento do secretário e percebi o quanto ele estava angustiado e ao mesmo tempo aliviado em poder compartilhar as informações. Para ele, foi um desabafo necessário para a população tomar conhecimento das dificuldades. Ele foi tão sincero que não sei se vai durar muito nesse governo que já mandou embora o primeiro secretário de saúde e espero que não mande também o atual.
Para ser mais didático, vou enumerar os principais pontos elencados pelo secretário de saúde como grandes obstáculos de gestão da saúde.
Folha de pessoal
O secretário admitiu uma denúncia que nós fizemos dando conta do inchaço na folha de pagamento. Segundo ele, em fevereiro na policlínica o número de contratados (apadrinhados políticos) era 2x maior do que efetivos. Ele disse que pediu medidas ao governo em fevereiro e março, mas como não foi ouvido ele mesmo tomou a decisão de exonerar.
Maternidade
Segundo o secretário, os partos estão temporariamente suspensos porque há problemas graves nas instalações. Disse que mês passado houve inúmeros partos e que precisa de R$ 900 mil pra reformar a maternidade. De acordo com agentes de saúde, o prefeito teria gastado quase R$ 500 mil com tablets mesmo sem condições técnicas de operação. Raio-x com problemas, UPA com dificuldades de gerenciamento. Bayeux não tem condições de fazer exames como ressonância e tomografia.
Médicos e medicamentos
Jordane afirmou que enfrenta sérios problemas de orçamento. Disse que tem se esforçado, mas reconheceu que faltam médicos, alguns postos de saúde tem dificuldade de funcionamento e remédios são precários.
Licitação
Aí é que pode ser explicado o motivo de tudo isso. Mesmo Bayeux sendo gestão plena em saúde, o secretário afirmou que a “saúde não administra suas compras”. Seu poder seria meramente autorizativo, conforme suas palavras, mas a decisão de compra fica a cargo da secretaria de Administração, comandada por um dos homens de confiança do prefeito Berg.
Ainda de acordo com o secretário, esse modelo seria ilegal, pois confronta com a legislação onde a pasta da Saúde tem de ter um SUS com autonomia e gestão administrativa e de materiais.
Ao que me parece em todo município com gestão plena a própria secretaria de saúde realiza suas compras, mas na gestão de Berg Lima essa atribuição estaria sendo exercida pela Administração. Segundo o secretário, ele vai tentar convencer o prefeito a mudar esse modelo administrativo.
Agora, Bayeux sabe o motivo de a saúde continuar um caos. Trocaram seis por meia dúzia?







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